Dra. Brenda Brentini

A cólica do bebê é uma das dificuldades mais comuns enfrentadas pelas famílias com recém-nascidos. Ela causa choro intenso e irritação na criança, e consequentemente, uma grande insegurança nos pais. Neste guia, vamos explicar de forma clara e prática:

  • O que é cólica do lactente
  • Como saber se é cólica ou outro motivo de choro
  • Por que a cólica acontece
  • Como identificar os sinais
  • Estratégias simples para aliviar
  • Quando procurar ajuda médica

Este conteúdo é baseado em informações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e evidências científicas atualizadas.

 O que é cólica do lactente?

A cólica do lactente é definida como um padrão de choro intenso e inconsolável em um bebê saudável, sem causa médica aparente, que se repete com frequência.

Segundo a definição clássica conhecida como “regra dos 3”:

  1. O bebê chora mais de 3 horas por dia
  2. Em mais de 3 dias por semana
  3. Por mais de 3 semanas seguidas

Isso ocorre em lactentes saudáveis, bem alimentados e com ganho de peso adequado.

Importante: hoje em dia os profissionais também consideram como cólica episódios repetidos de choro intenso mesmo quando não atingem exatamente essa regra, se o padrão for consistente e sem outra causa identificável.

Quem é o médico para procurar em casos de cólicas em bebês?

O médico que cuida do bebê com cólicas é o pediatra. O período do recém-nascido é marcado por muitas transformações e dúvidas para as famílias. Alterações no sono, na alimentação e no comportamento são comuns e, muitas vezes, geram insegurança. Ter um pediatra de confiança desde o nascimento é fundamental para atravessar essa fase com mais tranquilidade.

A Dra. Brenda Brentini é médica pediatra, capacitada para lidar com as diversas situações que envolvem o cuidado do recém-nascido. Seu acompanhamento inclui desde orientações sobre sono, amamentação, cólicas e ganho de peso até a identificação precoce de sinais que merecem investigação e atenção especializada.

Seu atendimento é baseado em ciência atualizada, protocolos reconhecidos e prática clínica responsável. Ao mesmo tempo, valoriza a escuta atenta, o acolhimento e o cuidado individualizado, respeitando a singularidade de cada criança e de cada família.

Para a Dra. Brenda Brentini, cuidar de um bebê vai além do tratamento de doenças. Envolve orientar, tranquilizar e caminhar junto com a família desde os primeiros dias de vida. O objetivo é promover um desenvolvimento saudável e oferecer segurança aos pais em cada etapa da infância.

Como saber se meu bebê está com cólica?

 1. Choro intenso e difícil de consolar

  • O bebê chora muito, as vezes por horas seguidas
  • Não se acalma facilmente
  • Fica com a face avermelhada
  • Faz contrações do abdome
  • Pode ficar agitado ou irritado mesmo após alimentação ou troca de fralda

O choro costuma ser agudo, estridente e em “crescendo”, diferente do choro curto por fome ou fralda suja.

2. Padrão frequente

A cólica costuma aparecer:

  • No final da tarde
  • No início da noite
  • Repetidas vezes ao longo da semana

Esse padrão repetitivo ajuda a diferenciar a cólica de outras causas de choro.

3. Sem sinais de doença grave

O bebê com cólica geralmente:

  • Mama bem;
  • Ganha peso normalmente;
  • Não tem sinais de alarme, como febre, vômitos frequentes ou sangue nas fezes.

Se houver sinais de alerta assim, é importante falar com o pediatra.

Por que a cólica acontece?

A causa exata da cólica do lactente ainda não é totalmente conhecida pela ciência.
Várias teorias tentam explicar por que alguns bebês choram tanto, incluindo:

1. Imaturidade intestinal

O sistema digestivo do bebê ainda está se desenvolvendo, apresentando movimentos intestinais desorganizados e ausência de uma boa colonização microbiana. Isso leva a um acúmulo de gases, que ocasiona desconforto abdominal e dor.

2. Imaturidade do sistema nervoso

O sistema nervoso do recém-nascido ainda está amadurecendo. Isso pode deixar o bebê mais sensível a estímulos normais do corpo e do ambiente.

3. Relação com alimentação

A cólica pode ocorrer tanto em bebês amamentados exclusivamente no seio quanto em bebês alimentados com fórmula.

Em casos raros, a alergia à proteína do leite de vaca (APLV) pode contribuir para desconforto semelhante à cólica, especialmente em bebês alimentados com fórmula. Nesses casos, o pediatra, em consulta, fará a conduta individualizada.

4. Fatores biopsicossociais

Aspectos do ambiente, como rotina familiar, estresse dos cuidadores, ansiedade e estímulos excessivos, podem influenciar a ocorrência e a percepção da cólica.

Quando a cólica costuma começar e terminar?

A cólica geralmente segue um padrão temporal bem definido:

  • Início: por volta da 2ª semana de vida
  • Pico: entre 6 e 8 semanas
  • Melhora: por volta dos 3 a 4 meses de idade
  • Em quase todos os casos, a cólica desaparece antes dos 5 meses.

Como o pediatra faz o diagnóstico?

Não existe um exame que confirme a cólica.

O diagnóstico é feito clinicamente, com base em:

  • História detalhada da rotina de choro;
  • Exclusão de outras causas de choro;
  • Avaliação do crescimento e desenvolvimento do bebê.

Por isso, ter um pediatra que você confie para acompanhar seu filho desde o nascimento, é essencial para a geração de um vínculo de cuidado contínuo. Isso evita inseguranças na família e supermedicação do seu bebê.

O que NÃO é cólica

Antes de atribuir o choro à cólica, é importante considerar outras causas comuns de choro em bebês:

✅ Fome
✅ Fralda suja
✅ Sono
✅ Superestimulação
✅ Frio ou calor
✅ Dor real por outra condição (infecção, refluxo, picadas)

A presença de sintomas como febre, diarreia com sangue, vômitos persistentes ou ganho de peso insuficiente indica que não se trata apenas de cólica e requer avaliação médica.

 Como aliviar a cólica do bebê — medidas práticas

Não existe uma “cura” milagrosa para a cólica, mas algumas estratégias podem ajudar a reduzir o desconforto e acalmar o bebê.

1. Toque, contato e acolhimento

  • Segure o bebê no colo com carinho
  • Faça movimentos suaves e rítmicos
  • Use toque suave na barriga

O suporte emocional também ajuda reduzir o estresse familiar.

2. Técnica de bicicleta com as pernas

Dobrar suavemente as pernas do bebê sobre o abdome pode ajudar a liberar gases e reduzir a sensação de desconforto.

 

3. Massagem abdominal leve

Movimentos circulares suaves na barriga podem aliviar gases e dar conforto ao bebê.

 4. Banho morno calmante

Um banho morno pode relaxar o bebê e ajudar a diminuir a irritação associada à cólica.

Uma opção é o ofurô, que tem o objetivo de “imutar” o ambiente uterino, com pouco espaço, água morninha e movimentos suaves.

 

5. Ruído branco ou barulho suave

Alguns bebês se acalmam com sons repetitivos, como:

  • Ventilador ligado
  • Ruído branco
  • Música suave

 6. Ajuda profissional e suporte emocional

O mais importante não é só tentar “tratar a cólica”, mas também acolher os pais e responsáveis, porque o estresse causado pelo choro intenso pode gerar ansiedade, sono insuficiente e sensação de incapacidade.

 E quanto aos probióticos, medicamentos e fórmulas?

 Probióticos

Alguns estudos sugerem que certas cepas de probióticos podem reduzir o tempo diário de choro e acelerar a melhora da cólica. Os mais estudados são o Lactobacillus reuteri e o Bifidobacterium animalis subsp. lactis (BB-12).

Medicamentos

Medicamentos que prometem reduzir gases ou dor intestinal geralmente não têm comprovação robusta de eficácia e devem ser utilizados apenas sob prescrição médica.  

 Fórmulas

Trocar o tipo de fórmula com a intenção de reduzir a cólica é algo que deve ser feito somente com orientação médica, especialmente para excluir causas como alergia à proteína do leite de vaca.

 Como apoiar emocionalmente a família

A cólica do lactente pode ser angustiante. Bebês com cólicas choram de forma intensa e prolongada, e isso pode afetar:

  • Qualidade do sono dos pais
  • Nível de estresse familiar
  • Bem-estar emocional da mãe e do pai

É essencial que os cuidadores recebam apoio, orientação e tranquilidade de que a cólica é uma condição benigna e temporária. Em alguns casos, a terapia pode ajudar muito os cuidadores.

Sinais de alerta — quando procurar o pediatra imediatamente

Procure avaliação médica se:

  • O bebê tem febre
  • sangue nas fezes
  • O bebê não está ganhando peso
  • vômitos persistentes ou em jato
  • O bebê tem abdome visivelmente distendido

Estes sinais podem indicar uma condição diferente da cólica e exigem atenção médica urgente.


Ter um pediatra de confiança faz toda a diferença na jornada da infância. Desde o nascimento, o acompanhamento contínuo permite orientar, acolher e identificar precocemente cada necessidade do seu filho.

A Dra. Brenda Brentini é capacitada para cuidar com base na ciência, mas também com escuta, sensibilidade e cuidado individualizado — porque cada criança e cada família são únicas.


 

Resumo

✔️ A cólica do lactente é um padrão de choro intenso e sem causa aparente em bebés saudáveis.
✔️ Cólica geralmente aparece nas primeiras semanas, piora por volta de 6–8 semanas e melhora antes dos 5 meses.
✔️ Não há causa única conhecida. Probióticos ou mudanças na alimentação devem ser orientados pelo pediatra.
✔️ O diagnóstico é clínico — feito pelo pediatra com base na história e exame físico.
✔️ Estratégias práticas de conforto ajudam o bebê e reduzem a ansiedade dos cuidadores.

Fontes:

Sociedade Brasileira de Pediatria – SBP

Sociedade Paulista de Pediatria

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